segunda-feira, dezembro 26, 2011

Prazeres

Deparo-me bastantes vezes com a perspectiva sobre prazeres absolutos e relativos. É mais fácil associar os prazeres relativos com a sensação física e os prazeres absolutos com a sensação emotiva. Repare-se: o quão agradável é tirar os sapatos apertados no fim do dia e o espectacular que é estar feliz (eu sei que o verbo "estar" implica uma noção de que antes não se estava; e quanto ao futuro, não se sabe; mas afirmo com segurança de que felicidade é um estado emotivo absoluto - calculo eu). No entanto deparo-me que as pessoas preferem o prazer relativo ao prazer absoluto. Mentira? Não tenhas essa certeza tão depressa assim, que eu também tive dificuldade em admitir que estava, afinal, certo. Não traz muito mais "felicidade" a uma mãe quando o seu filho, que costuma ter notas horríveis, de repente recebe um "Satisfaz Bastante" num teste, que a uma mãe que está habituada a ter um filho que raro é o dia que recebe "Satisfaz Bastante" porque o resto das notas são sempre "Excelente"? É verdade. E o ser humano desenvolveu um fascínio pelo incomum que ultrapassou o do ganho de prazer constante. Claro que estes "encarregados de educação" preferiam que os seus filhos recebessem sempre "Excelentes", mas no fundo, são muito mais felizes aquelas que só de vez em quando têm esse privilégio. Pelo menos em qualidade (que em quantidade, talvez tenham menos). Esse prazer é mais potente, mas no entanto é momentâneo, enquanto que o prazer mais suave, dura. E sobressaem muito mais estes prazeres altos mas momentâneos. Talvez daí o fascínio pelo orgasmo, mas não é essa a questão. O que quero sublinhar é que a quantidade é superior à qualidade. Está dito. Uma pessoa prefere ser moderadamente feliz numa vida do que Absolutamente Feliz durante um dia na vida (repare-se nas letras maiúsculas). E claro, também acho que prefiro isso, mas aqui está um ser humano a contentar-se com o prazer relativo do que com o Absoluto (embora seja um grau absoluto a felicidade constante e o absolutamente feliz momentâneo relativo; é complicado).
O que é que vale mais a pena então? Ser simpático o tempo todo sem muita gente reparar, ou praticar uma boa acção de vez em quando e toda a gente virar a cara em tua direcção? É difícil. É preciso ter muito jogo na mão para praticar apenas uma boa acção de vez em quando e cá eu, não tenho absolutamente jogo nenhum.

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