Um dia chegaste a meus olhos
Inalei-te num só trago
Envenenado, caí redondo no chão
Tinha a certeza do inevitável
O toque da tua mão na minha
Levou-me a esta insanidade
Tentava adivinhar, por becos sem saída
Apanhando trapos que deixavas cair
Eu lá ia tecendo o nosso cobertor de Inverno
Completámos o leito assim
Embalado estava no teu peito
Despreocupado com o frio nos pés
A falta de calor largou a intriga
Tu puxavas e eu ia atrás
Mas chegou o conforto e cantaste “mais não”
Cuspiste-me fora dos lençóis
Não me deixaste alternativa
Se não murchar de hipotermia de ti
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