sexta-feira, março 19, 2010

Leroy Wein I

Leroy Wein é um homem de 24 anos que actualmente vive em Nova York. Trabalha como empregado de mesa num restaurante 3 estrelas, ou seja tem um salário nem alto nem assim tão baixo. Vai pisando um degrau de cada vez, como ele próprio gosta de dizer. Ao mesmo tempo frequenta uma universidade da cidade, no curso de arquitectura. Já tem grandes planos para o seu futuro, tem as suas ideias lançadas para a frente. Sabe que degraus subir para não cair.
Neste instante está a almoçar no seu minusculo flat, um lar de apenas 3 divisões: Casa-de-Banho, Sala/Quarto, e uma Cozinha. A Casa de banho apenas tem um chuveiro e uma sanita, não tem lavatório. "O desenho dos azulejos é demasiado foleiro" pensa Leroy. Era verdade, nem com as toalhas e espelho a taparem metade das paredes, conseguia disfarçar os tons ridiculos e suas cores. Aquele amarelo fraco simplesmente não combinava com aquelas Rosas. Mas felizmente, não era a divisão onde mais tempo passava. Curiosamente tambem não era a Sala; ele tambem adorava a culinária. Trabalhava num restaurante, e assim tinha a hipótese de se voltar para a cozinha caso a arquitectura não desse fruto neste tempo de crise, embora pensasse que o contrário seria mais esperado. Mas gostava de ter um corrimão sempre que subia cada degrau, para não cair de qualquer maneira.
Voltando à sua alegre casinha, a Cozinha era pequena, tanto quanto o resto do flat, às suas proporções. Continha um Fogão pitoresco, que servia para todas as refeições que Leroy cozinhava (tambem não era fã de micro-ondas, "é um atalho que tira a piada toda à corrida", dizia), um balcão de uns 2 metros, mais coisa, menos coisa, com maquina de lavar louça e uma mini despensa (onde guardava enlatados e outros) por baixo. Isto tudo de um lado da divisão. Na outra parede havia um pequeno frigorifico, e uma bancada, onde havia uma torradeira, uma "pia" [lava louça sem ser máquina] e um escorredor ao lado. Por baixo da parte da bancada da torradeira estavam umas gavetas discretas, onde Leroy guardava talheres, louças e outros que tais. O chão da cozinha e da casa-de-banho condizia; a cor do linóleo era clara. Saindo da Cozinha, encontravamo-nos na Sala/Quarto, esta que tambem era entrada. Tinha um sofá, que tambem daria para a sua cama, uma aparelhagem, pequena mas suficiente para ouvir os seus discos de eleição, ao lado do sofá e uma TV do mesmo tamanho à frente do sofá. Na divisão havia 3 posters: um dos Pink Floyd, do Dark Side of The Moon, atrás do sofá; outro de Jim Morrison em que este está a apontar para o observador, frente à entrada; e o ultimo na parede contrária do Dark Side of The Moon, um poster dos Nirvana, com a imagem da capa de Nevermind. Disto descobre-se facilmente que Leroy era um adorador de mártires (incluindo R. Wrights).
Leroy era um tipo calmo, ambicioso, criativo e trabalhador.
E ali estava a almoçar, num plácido Domingo, quando não trabalhava nem estudava, o dia santo, o de descanso,
 - O dia de pagar as contas! - relembrava Leroy.
(...)

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