segunda-feira, março 22, 2010

Leroy Wein IV

- Descansa – Disse o homem que estava sentado ao lado da mãe de Leroy – O patrão já soube que tiveste o acidente.

- Hugh! Que fazes aqui?
- Não brinques com isso. Os amigos preocupam-se.
- Peço que descanse por favor. – Interrompeu o médico - Amanhã você já poderá ter alta.






- Leroy! – Chamava uma voz - Vai atender a mesa 4!
- Para já, Senhor Simpson. – Respondia Leroy ao Patrão.
O stress habitual do restaurante já tinha posto o sistema de Leroy de volta ao normal. O Restaurante tinha uns 30 metros quadrados de estabelecimento, e mais uns 20 de cozinha e anexos reservados aos empregados, para os uniformes, e outras coisas. O Restaurante chamava-se “Le petit Gourmet”, o dono era conhecido como Sr. Simpson, mas na verdade ele era francês, e o seu nome também o era – “Jacques Sammilles”. Obvio que a cozinha também o era. Leroy inseria-se mais na veia mediterrânea, como comidas gregas, italianas, e um pouco das da península ibérica.
- Leroy! – Chamava Hugh
- Hugh?
- Chega aqui, por favor – pedia Hugh. Este amigo seu era o anfitrião do restaurante. Tinha um bom falar e um jeito especial para as pessoas.
- O que foi? – Perguntava Leroy com curiosidade.
- Estás a ver a mesa 7?
- Sim.
- Oferece uma garrafa de Bordeux pela minha conta. Não te esqueças de referir quem o ofereceu.
Na mesa 7 estava uma bela rapariga de longos cabelos dourados, na casa dos 20 e poucos também. Tinha uma boca e um nariz pequenos, muito delicados, mas uns olhos que pareciam pérolas. A cor Leroy não conseguia identificar, mas tinha a certeza que deviam ser lindos. Hugh era um tipo com bom gosto.
“Este gajo é irremediável! Não admira que tenha um sorriso naquela cara todos os dias” pensava Leroy.
Na ida à despensa, estava lá o Chef, que tinha a mesma alcunha; ninguém sabia o seu nome de verdade. Só mesmo o Sr. Simpson, mas nunca ninguém lhe perguntou o nome; Leroy já tinha perguntado ao próprio Chef, mas o Chef tinha conseguido escapar com a resposta de ser “Mistério!”; este que comenta:

- Outra garrafa para a mesa de Hugh? – Ria-se Chef
- Já foram quantas garrafas nesta semana? Só comecei hoje a trabalhar.
- Pediste férias? Porque não me avistaste? Ia contigo seu paneleiro.
- Tive um acidente no meu prédio. Ia partindo a cabeça.
- Epá. E já aqui estás? Tu és é um paneleiro alfa. Sim, senhor.
- Vou voltar ao trabalho Chef. Vê se não te babas na Sopa.
- É isso! Vai-te embora a chamar-me gordo!
Já com a garrafa na bandeja, Leroy ia com o passo acelerado em direcção à mesa 7. Não, leitores, ele não cai desta. Chegado à mesa, dirige-se para a rapariga assim:
- Desculpe minha senhora, o senhor Jones, o anfitrião – Apontava Leroy em direcção a Hugh – oferece-lhe o melhor vinho da casa por sua cortesia.
Hugh agitava os seus dedos em tom de cumprimento.
- Obrigado, mas não bebo. – Falava uma voz doce e suave vinda daqueles lábios miúdos.
Leroy sentia um nervosismo estranho. Não tinha razões para tal, quem deveria ter era Hugh.
- Então diga-me o que lhe dizer. Sr Jones irá sentir-se magoado se não aceitar o presente que lhe enviou.
- Diga-lhe que se pode sentar ao pé de mim, enquanto o meu par não chega. Isto é se puder.
- Decerto que poderá... Se bem que o conheço... – murmurava esta última parte Leroy.
Leroy de bandeja na mão veio ao encontro com “Sr Jones”. Aparentava um tom de alarme:
- Cuidado que esta tem dono. Ela não aceitou a garrafa, mas disse que te poderias sentar lá enquanto não chega a sua companhia.
- Obrigado Le Rei. – Brincava Hugh.

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