domingo, maio 23, 2010

Leroy Wein XII

(...)

- Estou a ir – Falava Leroy confiante, novo.
Abria a porta e convidava as duas raparigas a entrar com um gesto cortês com o braço, e fazendo uma vénia.
- Uaau. – Gozava Char – O que fizeste a ele Hugh?
- E tu culpas-me a mim porquê? – Fazia-se Hugh de inocente.
- Porque és a única via de influencia à vista neste flat! E das más!
- Sim, sim... Então e tu Mary? Muito massacrada pela Charlotte?
- Só um pouqui...
- Charlotte? – Interrompia Char, com alguma indignação - Queres que eu te trate por Sr Jones?!
- Seria deveras apropriado, para o momento, pois deparo-me com uma presença desconhecida – Gozava Hugh, conseguindo acalmar a raiva miúda de Char.
Enquanto isso, os outros dois riam-se desalmadamente. As expressões faciais, os gestos e os tons que os dois argumentadores usavam, davam uma certa magia, comédia/drama nos seus momentos e uma aparência viva ao flat.
- Está bem – Acalmava Leroy – Então Mary, qual foi o filme que nos reservaste para esta tarde?
- Bem, eu escolhi um clássico. Para que a Char ficasse com uma ideia do que é o estranho mundo de Tim Burton.
- Essa gostei – Comentava Leroy
- E qual é o clássico? – Perguntava Hugh.
- O Eduardo Mãos de Tesoura, Sr Jones. – Gozava Char em tom sarcástico.
- A menina Charlotte desconhece esta obra cinematográfica?
- Shiu! – Calava Char.
- Muito bem Char, acabemos com esta parvoíce – Fechava Leroy, sorrindo disfarçadamente para Hugh.
- Sim, eu também já estava farta – Aliviava Mary.
- Ok ok... Onde é que estão as pipocas? – Lambia-se Hugh.
- Nós trouxemos estes dois sacos de pipocas – Apontava Mary para dois sacos que deveriam conter meio quilo de pipocas cada.
- Uau. Vai ser o serão perfeito! – Sorria Leroy abertamente.
- Vai ser melhor do que perfeito! – Extasiava Hugh.
- E estão quentinhas – Anunciava Char – Vamos ver o filme antes que arrefeçam.
- Passa-me a caixa do DVD se faz favor. – Pedia Leroy entusiasmado
Mary passava-lhe a caixa, e Leroy abria-a de seguida. Pôs o DVD no computador portátil, e em segundos, o filme já estava a ser reproduzido na televisão.
- Que trabalho tão bonito que fizemos Leroy. – Orgulhava-se Hugh.
- Convencidos! – Picava Char.
- Hey, eu não disse nada – Defendia-se Leroy
- Mas eu concordo com o Hugh – Corava Mary olhando para Leroy com uns olhinhos reluzentes.
“Não pode ser assim tão fácil! Como é que uma pré-psicóloga pode fazer-se tão ingénua? Ou está sem rodeios, ou quer-me lixar a vida”, pensava Leroy. Ou pode estar carente, leitores.
- Obrigado – Agradecia Leroy – Também... Tinha de estar bonito para duas raparigas tão bonitas – “Eu não disse isto”, pensava Leroy, rindo-se interiormente da sua vergonha.
- Já não se fazem cavalheiro destes hoje em dia! – Rematava Char olhando para Hugh. “Caiu bem!”, louvava Leroy; Os olhos de Mary cintilavam ainda mais.
- Ele não me dá oportunidade! – Refugiava-se Hugh, rindo-se.
- Oh, que simpático – Dizia Leroy com sarcasmo – Obrigado Hugh.
- De nada. – Agradecia Hugh e brincava, insistindo - Agora sou eu a tentar ser cortês: sentem-se raparigas. Cabem aqui quatro pessoas facilmente. E ainda ficamos com espaço.
- Uau, fez-se um novo homem em segundos – Comentava Mary
- Não te iludas Mary – Troçava Char – Eu fico no canto!
- Eu fico com o outro canto – Reservava Hugh.
- Mary, – Chamava Char – Senta-te ao meu lado.
- A construir um forte Char? – Interrogava Hugh.
- Sim, Tu és perigoso! – Escondia-se Char.
- Tu não sabes o que ele me faz no emprego. – Cooperava Leroy
- Traidor de uma figa!
- Shiu! O filme vai começar – Acalmava Mary.
- Boa boa! – Aplaudia Leroy.
O filme começava. Os tons escuros e góticos reflectiam nas paredes opostas à televisão delineando a sombra dos quatro amigos. Só se ouvia a banda sonora do princípio do filme e a do mastigar turbulento das pipocas. Criava um ambiente inconfundível: uma sala de cinema. Não era preciso o sistema “Cinema em casa” para criar um. Apenas alguns amigos com quem partilhar um filme com grandes expectativas. Mas neste cinema, só havia uma pessoa que estreava os olhos a “Eduardo”: mas há sempre aqueles amigos que já viram o filme, mas quiseram voltar a ver. É uma companhia agradável.

(...)

Fim do primeiro capitulo. Acho que fico por aqui malta. Já vão 13 páginas de Word e vou continuar a escrever. Se eventualmente parar, deixo no blog tudo o que escrevi desde aqui.
Felicidades e Longa vida Leroy.

1 comentário:

  1. Adorei a surpresa meu amigo :)
    mesmo..

    novamente, extremamente bem escrito.
    espantas e encantas :b

    continua! **

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